segunda-feira, dezembro 27, 2010

Sabe, meu estimado amigo...

Sabe, meu estimado amigo, ainda ando eu perdido.

Eu corro os olhos pelo meu quarto, ele já não é o mesmo, está com uma bela pintura, um vitral transparente e um chão limpo, minha cama anda arrumada, com travesseiros e lençóis e colchas limpas, têm, também, as camisas e calças e mochilas jogadas. Minha mesa está uma bagunça, são papéis e fios e incensos e outras coisas mais. Meu quadro branco, que eu uso como memória, está limpo, tem algumas coisas somente. Agora, o que me fode, o que está fodendo comigo é um só, eu.

Lembra, amigo, daquelas estórias de que te falei, do casal em viagem, e das outras duas, você lembra? Você é inteligente, já deve ter ouvido falar em bloqueio? Desde aquele dia sombrio que não gosto de relembrar, não consigo mais continuar. Eu tento uma e duas e até três vezes e não sai nada, e, quando sai, é um belo “FIM!”.

Amigo, as coisas até que vão bem, seriam melhores se conseguisse eu continuar tais estórias (como você disse antes, elas são ótimas). Eu olho pro céu e ainda vejo aquelas nuvens negras, distantes, é verdade, mas as vejo e isso me assusta. A madrugada ainda me prende em frente a essa máquina, não perdi tal “coisa”, é algo que devo concertar, está fodendo com o meu trabalho e todo o resto.

Amigo, talvez eu tenha encontrado uma solução pra isso, será que você concordaria com ela? Ouça. Talvez essas estórias já tenham chegado ao seu fim, eu não tenho a habilidade de continuar algo deixado pela metade, talvez eu só consiga terminar alguma estória maior se começar tudo de novo. É essa a solução? Ajude-me, de verdade.

Um abraço do seu amigo.



Lucas Sales Viana

segunda-feira, dezembro 13, 2010

Stop it. I'm peeing in my pants.

Sabe aquela máxima? Entre dizer e fazer tem-se o mar. É lei.
Não adianta eu olhar para o mundo, achar um defeito e dizer: “Olha, fazendo isso e isso e isso se resolve.” Vá à merda com essa sua teoria, você tem é que mostrar como se faz. Se você que ser um salvador do planeta, ótimo, vá para a África, para uma comunidade bem pobre, pergunte se eles comem todo esse ouro que você ostenta, essa sua roupa de marca idiota e o seu carro comprado pelo seu papai.
Não adianta eu olhar para ela, me aproximar dela e dizer: Eu te amo! Vá se foder com esse seu “Eu te amo”. Ninguém gosta dos falastrões, eles são fracos e medrosos, meninos que foram criado pela avó à leite com pera, “meninhinhas”. Você tem que... Acha mesmo que eu vou falar como fazer? Se você não sabe, eu rio da sua cara de otário.
E, se não conseguir fazer nada da sua vida, ótimo! Vire um “escritor”, escreva algumas merdas que as pessoas gostem de ler, ganhe alguma grana com isso e continue a ser o escroto e babaca de sempre.
Ah... Só uma dica... Elas sempre percebem, elas sentem o seu cheiro de medo e insegurança, elas não são tão idiotas como você acha. Você não ganha o prêmio máximo gastando toda a grana que seu papai ou mamãe tem. Você vai pegar algumas putas vestidas de santas, ah, você vai, eu garanto.
Viu, no final, até que eu gosto de você. Você me diverte!


Lucas Sales Viana

sexta-feira, dezembro 10, 2010

quinta-feira, dezembro 09, 2010

Off the book

Talvez, eu sempre uso o talvez, você já reparou nisso?
Talvez eu, verdadeiramente, seja a personificação do coiote, que foi feito para vagar sem um rumo em busca de alimento, um vagar solitário, que, vez por outra, para em cima do morro mais alto e uiva por horas, à espera de um uivo que o corresponda, mesmo que esse nunca venha.
Talvez eu acredite, ainda que ingenuamente, naquele humano que aparenta ser bom ao me oferecer um pedaço de carne fresca, ainda cheirando à sangue, quando na verdade ele me quer arrancar o couro, ou só me matar, pelo puro prazer da maldade. Talvez eu só me torne melhor, quando eu for pior, porque em todos os momentos ruins eu me saio perfeito.
A escuridão domina, a lua não mais existe, só temos nuvens e mais nuvens, trovões, raios e medo. É chegada a hora da caça. Não irá me ver, só ira me sentir quando eu chegar à sua jugular. Eu tenho fome.


Lucas Sales Viana


Todo e qualquer um tem nome e rosto.

Sem nomes. Não te conheço e você não me conhece. Não sei o seu nome, nem você sabe o meu. Não vou saber o seu nome e não vou te dar o meu. Pense em um, qualquer um, esse será o meu nome por enquanto.
Eu tenho alguns anos, não sou jovem nem tão velho, diria que tenho uns 45 anos, não tão preciso, deixei de contar já faz um tempo.
O meu reflexo mostra uma cabeça raspada, sobrancelhas grossas, olhos fundos e cansados, nariz adunco e torto para a direita, resultado de uma briga. Uma orelha furada, lembranças de uma juventude rebelde sem causa, e outra não. Não tenho bochechas, meu rosto é retangular. A boca fica escondida por uma barba de algumas semanas, e como isso coça.
Ainda tenho a força de quando jovem, não tenho mais a velocidade, nem o fôlego. Antes que você pense mais de mim, não sou tão alto, nem tão baixo. Não sou gordo.
Você já deve ter uma ideia de como é a minha aparência. Vamos continuar.


Lucas Sales Viana

terça-feira, dezembro 07, 2010

Um começo...

Em algum posto dessa estrada parei e entrei e peguei uma garrafa d’água e sentei no banco lá de fora. Vestia-me mal, a barba me irritava, o sol me irritava e aquele calor me irritava, o bater dos ponteiros do meu relógio me irritava. Joguei aquilo longe, o silêncio foi bom.

Eu acabei com aquela água, paguei e continuei andando. Para onde? Para onde a estrada apontasse, o sol corresse e o vento soprasse, para onde fosse longe de mim.

Eu deveria olhar para trás e voltar e morrer lá, mas algo em mim me dizia não para toda essa merda.

Eu não sou um filho da puta, não tenho filhos, nem esposa, ainda tenho mãe, pai e alguns parentes vivos e velhos. No final das contas, eu tenho a mim, somente.

Eu não quero a sua pena, nem o seu perdão. Não espero que me tenha empatia ou qualquer outro tipo de sentimento. Quero que me ouça, ouça um pouco da minha estória, algumas das merdas que cometi, só então, eu quero que me julgue. Você será o meu carrasco, ou o meu salvador. Vai olhar e analisar e sentir. Vai bater o martelo. “Você é um filho da puta!” ou “Você não é um filho da puta!”. 


Lucas Sales Viana

quarta-feira, dezembro 01, 2010

Merda, ela é uma qualquer!

Ela me sorriu
Eu me encantei por ela.
Ela me perguntou o nome
Eu disse: Carlo, e o seu?
Ela me pediu a garrafa d’água
Eu dei.
Ela bebeu minha água, restou muito pouco
Eu sorri.
Ela foi embora
Eu fiquei com sede, de novo.


Lucas Sales Viana