segunda-feira, outubro 17, 2011

"Aceito!"


Ele não consegue escrever mais uma vez, veja só a novidade. Não quer apelar para a bebida, mesmo tendo aquela garrafa escondida, não ao Page, não quer ouvi-lo cantar mais, talvez o Morrinson volte, mas devia admitir que é fraco sem isso.

Não conseguia colocar nada, por não pensar em nada, ao contrário do que acreditava até pouco tempo, simplesmente nada por alguns momentos ali, mas só ali.

Todo o resto estava quente e se preenchendo com aquilo.

Enquanto acelerava pesado para voltar para casa, não sabia ao certo o quanto foi para ela ouvir tudo aquilo, quero dizer, é incrível como ele fica idiota quando fala, quando “abre o jogo”, soa como uma criança indefesa, ingênua, que apenas fala sem pensar a verdade toda.

Não é culpa dela. Não ia admitir que ele continuasse calado, se escondendo com aquela máscara idiota, eu estava pronto para agir, mas ele acabou falando antes. Sorte dele.

Não mentiu. Não omitiu, foi sincero até demais, talvez tenha assustado ela. Mas precisa fazer muito mais por ela, muito mais, ouviu, garoto? E pare de escrever, tem alguém te esperando, vá, abra esse coração!


Lucas Sales Viana

quarta-feira, outubro 05, 2011

Carta à May...


Querida,

Não consigo dizer o que eu sinto por você, mas o fato de eu sentir algo, já me torna mais alegre, não têm sido tempos fáceis. Descobri isso há poucas semanas, entre arranhar a sua cara com minha barba e olhar em silêncio pros seus olhos e vê-los me perguntar o que se passava por essa cabeça. Acredite, você vai me achar o cara mais idiota e tolo se um dia me abrir. Mas é algo diferente, talvez por você ser diferente, talvez por eu estar diferente, ou talvez sabe-se lá o porquê... É algo bom, e por ser bom é bom.

Nem escrever tem sido fácil, as palavras não querem sair da minha mente, as verdades ainda se escondem com medo do que aconteceu das últimas vezes. Você está sendo uma das minhas poucas alegrias por esses tempos. Não quero que isso a pressione, longe disso, eu só queria começar a ser sincero pra você, verdadeiro, coisa não tão fácil.

Mas foi o que você um dia me pediu escondida pelo anonimato, você me pediu a verdade, não, compaixão. Oh, merda. Como eu pude ter sido tão idiota, tão omisso, tão falso comigo mesmo. Eu sempre falava em verdade, em ser sincero, e naquele período nem o ‘v’ da verdade eu tinha, eu era mais uma casca oca e falsa.

Pra dizer a verdade, eu sei o que aconteceu, um dia eu vou lhe contar se você quiser ouvir.

Antes que você se pergunte o porquê disso, eu digo, não quero acreditar na possibilidade de nos afastarmos mais uma vez por faltar algo de minha parte, depois do tanto que eu fiz...

Você é única e eu estou me apaixonando por você, mesmo sem perguntar se você deixaria.


Lucas Sales Viana

quinta-feira, setembro 22, 2011

Somos todos homens de sorte.

Homens não são tão diferentes de mulheres quando se fala de amor. Os dois são capazes de amar, os dois amam, ou amaram, ou amarão alguém em algum momento. A diferença se dá na forma que cada um lida com tal, e, quando se trata de sentimento, nós costumamos ser terríveis.

Quero dizer, não somos preparados para isso, criam-nos de uma forma, quase sempre, de agir fria e insensível, como se fossemos superior a qualquer tipo de sensação, medo, amor, alegria, tristeza, ódio e todos os outros. Crescemos dessa forma, aceitamos essa forma, tomamos como verdade.

E, então, um dia, nos encontramos numa situação de pânico, isso mesmo, pânico. Começa com um simples interesse, algo que não se pode explicar, que flui, acontece. Conhecemos, essa se mostra interessante, pegamos o telefone, ligamos, saímos, ficamos e ficamos e ficamos e depois de um tempo, nesse caso em específico, arriscamos a nossa ‘reputação’ ao pedi-la em namoro. Afinal, qual ‘homem’ quer ouvir o seu nome relacionado a um insucesso amoroso? Qual suportaria tal ‘vergonha’?

Eu me pergunto sempre, os casos de interesse à primeira vista como acontecem? (Eu usaria o termo ‘amor a primeira vista, mas não se encaixaria no nosso mundo, somos menores que as mulheres, incapazes na sua quase totalidade de perceber quando uma mulher corta o cabelo, quem dirá o Amor) Aqueles em que você apenas olha para os lados e encontra, por sabe se lá qual razão, uma garota que desperta você dessa inércia emocional e te faz ao mesmo momento entrar em uma espécie de frieza pré-programada, um subterfúgio aos sentimentos, numa tentativa vã de, naquele momento, não demonstrar tal interesse... Meu estimado amigo, eu lhe digo isto, não podemos, não conseguimos, elas sempre percebem, elas são sensitivas por natureza, sentem nossa insegurança, indiferença e o nosso ‘interesse’, somos péssimos a esconder sentimentos, nós sabemos disso.

Mas nós somos homens, pensamos como homens, agimos como homens, corremos atrás, no começo de forma discreta, procuramos por algo em comum, um assunto em comum, um amigo em comum, um local em comum, qualquer coisa que nos possa colocar mais perto do nosso ‘alvo’. Com sorte, conseguimos fazer com que ela mostre que já nos percebeu, afinal ela já sabe do nosso interesse desde o primeiro contato. E isso nos encoraja ao próximo passo, marcar um encontro. Encontro, conversa e, com mais sorte, um beijo dessa.

Corremos para nos vangloriar, provocar os concorrentes que possam vir a ter, responder aos amigos que nos desafiaram e inflar nosso ego já tão pouco inflado. E quanto a ela? Eu não sei. Talvez ela fale para a amiga, talvez ela mostre às concorrentes, ou talvez ela apenas guarde para si aquilo, mulheres são ótimas em guardar tudo, e bem guardado, de um simples lápis a um futuro amor.

Continuamos no roteiro, ligamos no dia seguinte, ou no dia após o dia seguinte, para aqueles que não querem mostrar que estão desesperados, quando na verdade estão, apenas não admitem isso. Conversa e uma promessa de um novo encontro, com sorte. E um novo encontro e uma nova conversa e mais beijos e o resto. E o roteiro começa a fluir. Completamos com um pedido de namoro. Esse é o problema.

Namoro não é o fim de tudo, não deveria ser, ele é a continuidade, uma fase, um momento, enfim, nos ensinam de forma incompleta, o nosso caderno não tem todas as folhas, a última folha seria o fim. Desde então nos acomodamos, esquecemos o outro lado, voltamos a olhar para o nosso umbigo e vemo-lo aumentar junto com a nossa barriga e barba e incapacidade. Não queremos parecer maleáveis aos nossos amigos, não admitimos a importância da garota, da namorada, companheira. Esquecemos o que ela representa.

E começam as brigas quase sempre por atenção, elas pedem por nossa atenção por que abriram mão dos interesses dela por acreditarem nas nossas palavras e nossas promessas, acreditaram em cada frase cuspida por nós, viram em nós algo diferente dos outros caras, viram o futuro. Eu já disse pra vocês que elas são boas nisso, meus amigos? Noutros casos, elas se decepcionam de uma forma tal conosco que acreditam não valer sequer uma conversa, apenas se afastam, não querem se machucar ainda mais por nossa causa.

Por sorte, como gostamos de bradar aos amigos com uma garrafa de cerveja na mão dentro de um bar ou boteco ou botequim, no caso dos mais antigos, nos livramos daquela louca. Acreditamos nisso por duas ou três semanas, mas não mais que quatro. Não incluímos nesse período as vezes que ligamos ou mandamos mensagens, logo depois apagadas do registro do celular, para ela, pedindo na maioria das vezes bêbado pela volta dela. Ela não aceita, ou não responde, não a culpem, não sabemos o que passa na linda cabeça da nossa garota, não nos dedicamos a ela, não abrimos mão da nossa arrogância para gastar um pouco das nossas preciosas horas gastas em videogames, futebol, bebidas e outras merdas ouvindo-as, sentido-as, amando-as. Temos sorte, não?!

Decidimos sem escolha então seguir em frente com a ideia na cabeça de que terão outras, milhares de outras, somos o máximo, somos os melhores, não precisamos dessa ou daquela, podemos ter qualquer uma, e seguimos... Até um dia em que admitimos finalmente que algo incomoda, estamos infelizes, mesmo tendo uma casa, um carro, um bom trabalho, talvez uma namorada, ou noiva, ou esposa e alguns filhos. É quando paramos, pedimos por um tempo, que soem o gongo para que possamos sentar por um instante e raciocinar por nós mesmo, sem amigos, sem garotas, sem nada, apenas nós. E lá está ela, uma caixa empoeirada escondida, quase perdida, numa gaveta velha dentro da gente. Andamos até lá, batemos a poeira e com uma grande puxada de ar abrimos a caixa, e não tem aquela ou essa garota dentro, tem o nosso amor, um rosto, um nome, um cheiro, um sorriso.


Lucas Sales Viana

quarta-feira, setembro 14, 2011

Vaso sem flor

Eu escrevo o que eu sinto
Se eu não sinto, eu não escrevo
E então descrevo
O vazio
Toda a ausência de sentimento
Sentimento outrora presente
Passado
Por vezes procurado
E que se foi
Sem me olhar para trás

Você nunca... Sabe...
Aquele olhar de quem ama...
Nunca amou de verdade
Fingiu
Fingiu até se cansar
Até alguma parte sua gritar:
Liberte essa alma que ama você
Por que a tortura?

E me arrastou então
E eu restei
Meu corpo
Um vaso sem flor.


Lucas Sales Viana

terça-feira, agosto 16, 2011

A Verdade é...

"A verdade é um ponto de vista", logo varia, vai acordar com o que cada um julga ser verdadeiro. Para ser dito algo como verdadeiro, antes se precisa de uma longa análise.

De certo que se tem um tema para uma longa noite com os amigos "filósofos de bar".

Discutamos.

Em primeiro lugar, quem pode julgar o fato como verdadeiro? Quem tem envergadura moral e intelectual para definir algo como verdade absoluta? O que é julgado como verdade por este pode não ser (e muitas vezes não o é) julgado como tal por aquele.

Em segundo lugar, o fato tem bases reais? (Nesse momento o binômio real-imaginário se faz presente, afinal o que é a realidade?) Foi um fato ocorrido, ou apenas criado por sua mente, por uma expectativa gerada por você? (Durante "a roda" um exemplo pode muito bem ser levantado...)

Em terceiro lugar, esse fato a ser analisado como verdadeiro é de tamanha importância para o bom seguimento da vida de todos os envolvidos? Se não, relevemos e bebamos outra, por favor...

E não esqueçamos nós de duas coisas, que a vida segue independente do fato ser verdadeiro ou não, e que nunca se deve deixar o seu copo na mesa ao sair para o banheiro...


Lucas Sales Viana

quinta-feira, agosto 11, 2011

Que culpa tenho eu?

...Eu só não queria magoar ninguém, sabe?! Não quero ser um cara mau, eu não me acho mau, algumas vezes... Quero dizer, que culpa eu tenho de amar todas as mulheres, eu já descobri isso, eu sempre me apaixonei pelas mulheres, não importa se foram por alguns minutos, ou um mês, ou até anos...

E você sente algo por alguma nesse momento? Ela me perguntou. Como assim? Sabe sentimento, aquela coisa de fazer bater o coração mais forte... Tá vendo, esse é o problema, colocar o coração assim, tão rápido, fode tudo, isso me assusta, eu sou mais devagar, a única vez que eu me apressei foi por aquela garota e veja onde eu fui parar... Não é suficiente eu apenas gostar?

É claro que não! Você sabe bem como é uma mulher, eu sei que você sabe, não vem querer se fazer de tonto agora. Você vacila quando ilude uma garota... Eu não iludi ninguém, caramba, eu apenas fui eu... Quero dizer, eu tenho culpa de agora ser assim, eu apenas falo o que eu quero, beijo como eu quero, faço carinho como eu quero, antes eu tentava muito forçar algo que eu não sou, e isso era um saco, o que falar, o quanto beijar, até onde colocar a mão, no que ela vai pensar, era muito cansativo e nada prazeroso essa merda toda.

Mas mulher não funciona assim, você sabe, eu não sei o que aconteceu nesses dias em que você se afastou, mas isso não muda os fatos, uma garota precisa de uma certa reciprocidade, precisa saber que o cara que ela gosta vai estar lá... Mas eu estou lá, droga, eu estou lá, olhando e beijando e sussurrando ao ouvido e mordendo e afagando e provocando e todo o resto, agora eu não posso ir contra mim, é como você disse, precisa de sentimento, e nesse momento é algo que não consta na minha lista de prioridades.

Você não sente nada por ninguém? Seu coração não bate mais forte por ninguém? Caramba, eu já te falei sobre isso e o quanto me machucou, você bem se lembra de como eu estava, foi uma das piores sensações, ninguém deve nunca fazer aquilo com alguém, ninguém deve nunca deixar o vazio que ela deixou por sei lá que raios de motivo...

O que ela fez foi péssimo, amigo, mas não foi só culpa dela, você também fez merda... Sim, eu sei disso, mas eu não sou perfeito, caramba. Eu fiz muita merda, eu menti pra caralho, mas sempre pensando em tentar ser o melhor pra ela e, mais uma vez, veja no que deu... Agora me responde, você é uma das poucas em que eu confio e me importo, eu sou um cara mau, um cafajeste?

Assim, eu acho que ninguém muda, apenas se descobre. Ela me disse. Você não é um cafajeste, sinceramente, você é um dos melhores caras que eu conheço, a forma como trata as mulheres é impressionante, você se importa, até com aquela que, digamos, causou tudo isso. Só vacilou dessa vez por enquanto...

E é por isso que eu amo as mulheres...


Lucas Sales Viana

sexta-feira, julho 29, 2011

Pick up the pieces coming down...

While the city sleeps, he grabs a bottle in the kitchen.
While the rats run into the pipes, he listen classics rock.
While the robber kills another, he is naked in the room with a glass in right hand.
While the hooker sucks one old guy, he takes a pill, a few, more one and another... shit, I broke the glass.
While the dizziness comes, he stumbles like a tramp to the typewriter...

"FUCKFUCKFUCK
I mean...
Shit, woman!
All I wanted was one thing, one fucking thing...

I wanted to take care of you, to make you feel loved all day not for the good you made for me, but for you, you're a good damn woman. I know I get weak sometimes but don't, never, ever, doubt of my fellings for you. You inspire me love, joy, complicity, and, i can't believe that i will say this, get old with you, and also this...

I'm not fellin..."

He fell on floor.


Lucas Sales Viana

quarta-feira, julho 27, 2011

Tome uma decisão, meu amigo...

Eu vou contra um pouco os meus textos nesse momento, meus amigos. Nesse momento eu estou ouvindo Joan Benz, recomendação do livro “1001 álbuns para se ouvir blablabla...

Enfim, sejamos diretos.

E aqui estamos.

Você tem que se decidir, decidir o que você quer, o que você espera de você, ou dos outros, sei lá. Pare, respire, ouça a você e tão somente, e, depois de saber alguma coisa, dê um primeiro passo, não corra, não tenha pressa, como dizia o velho chinês, um passo de cada vez. Não vai ser fácil, nem vai ser rápido, se você quer coisas fáceis, você não passa de mais um nesse mundo enorme e feio e sujo.

Se você quer, queira, se você não quer, não finja que quer, ainda mais quando se trata da companhia das pessoas. Aprenda que as pessoas tem sentimentos, não são troféus, você as machuca muitas vezes sem nem saber, machuca mesmo, daquelas feridas fundas e que não param de sangrar e que se não forem tratadas corretamente, apodrecem e levam a pessoa junto. E, quando isso acontece, a culpa é sua.

Você pode tentar, eu disse tentar, consertar as coisas, ou controlá-las (o que é pior), mas nem sempre você vai conseguir, entenda, VOCÊ NÃO É UM DEUS! Você pode fugir, você pode gritar, você pode matar, você pode fazer milhares de merdas como se essas fossem compensar outra. NUNCA uma merda substitui outra, nunca. Encare de frente, se não, recue, se fortaleça e só então retorne à luta. Mas só lute por aquilo que vale a pena, se não valer, contorne e continue seguindo, seja inteligente.

É o fim.


Lucas Sales Viana

quarta-feira, julho 13, 2011

May...

Sentado sozinho na areia do mar mais uma vez naquele mês, eu já estava me acostumando com aquele ritual, eu gostava daquilo, olhei para trás por um momento e a vi, chamei-a gritando de forma irônica, ela veio com um sorriso meio amarelo e sentou-se ao meu lado meio sem jeito. Recebeu minha mensagem passada, menino? Não, que mensagem? Não lembro mais o que eu tinha escrito, foi na semana passada. Não vi nenhuma mensagem sua. É pode ter sido, meu aparelho anda meio louco... Tudo em você é louco, garota! Não acho. Eu acho. E gosta? Das suas loucuras? Sim? Um pouco... Eu sorri e ela olhou para frente com um sorriso escondido.

Depois de um tanto de silêncio com os dois olhando para a linha suave que divide o azul em céu e mar como se ali estivesse algo para suas mentes confusas e imersas em sentimentos mais confusos ainda ela voltou para ele os olhos, e ele, para ela. Uma pena que a gente não saia mais... É verdade, mas lembra quando você me dispensou em dois encontros? Mas isso é passado, eu não farei mais, daqui pra frente será só carinho, ela baixou o olhar ao perceber o que acabara de sair da sua boca carnuda. Eu gosto de garotas carinhosas, disse olhando para o mar. E o que mais você gosta em uma garota? Perguntou ela de olhos fechados e fazendo força, parecia-me que ela queria sumir com eles, ou algo do tipo, foi uma cena engraçada.

Ela voltou a olhar para mim com agora um rosto confuso. Depende... Como assim? Do que depende? Calma, eu disse, garota, eu acredito que depende muito do que cada um quer do outro no relacionamento, sabe, do que cada um sente em relação ao outro. Ela voltou a olhar pro chão de areia sob nós com uma expressão de decepção, ou desapontamento, não pude ver bem. Tudo explicado, deixemos pra lá, então, falou ela tão baixo que mais parecia um sussurro. Não, eu disse, agora eu fiquei curioso, quero dizer, você me vem toda insistente, querendo saber do que eu gosto em uma garota e agora, depois da resposta, sussurra assim, dessa forma... o que aconteceu? Não é bem assim, depois de tudo que aconteceu entre a gente, depois dos meus vacilos, acho que agora tenho medo da sua reação. Eu acredito que se você tivesse vacilado muito comigo, eu sequer teria gritado por você, garota. Relaxe, eu sou um cara bem compreensivo com garotas. E ela calou-se por um tempo, e eu voltei meus olhos para o mar, era uma manhã boa nessa cidade que quase sempre nos dá um clima terrível, não tínhamos nenhuma nuvem ao céu, apenas ele azul e o grande sol.

Eu tenho algo pra te dizer, ela recomeçou sussurrando, mas não sei como dizer, você mudou bastante. Como assim? No que eu mudei? Sei lá, você está diferente, eu vi algumas fotos suas, li alguns dos seus textos, você parece diferente, uma espécie de “pegador”... antes você me disse outras coisas... Do tipo? Parecia muitas vezes com algo vazio, ela continuou, sei lá, uma conversa vazia. Talvez tenha sido pelo fato de agora eu estar mais verdadeiro, sem tantos rodeios e falas bonitas e feitas, e você bem sabe que minha natureza é mais de construir relacionamentos à uma diversão momentânea... Ela olhava agora para o céu, como quem espera por algo que irá cair de lá, talvez a coragem que ela iria precisar. Eu respeitei aquilo, aquilo foi bonito.

Então, o que você queria me dizer, disse eu acabando assim com o silêncio. Ah, ela suspirou, não sei se ainda vale a pena... falar o que eu queria...mas eu queria... É, essa parte é com você, o que eu posso garantir é que vou estar aqui, escutando e conversando com você... e você fazendo isso só aumenta a minha curiosidade. Mas eu posso mudar de assunto, sou ótima nisso, sorriu ela um sorriso desconcertado. Sorri de volta.

Eu adoro muito você, muito mesmo. Eu também gosto de você, você sabe disso, garota, falei meio surpreso com tal revelação. Não como eu gosto de você, ela voltou a olhar para o céu, uma brisa correu do mar para a cidade, o rosto dela surgiu por entres os longos cabelos negros, os olhos dela estavam cheios de sentimento, eu vi aquilo. Olhe para mim, eu disse. Não, eu gaguejaria, ela olhava o chão encoberta pelos cabelos. É isso então, você gosta de mim? É, acho que é por aí, eu ainda não achei uma pessoa que me completasse tanto quanto você... Aquilo me congelou.

No céu nenhuma nuvem, poucos pássaros apareciam por ali, eu pude ouvir o passar de algumas poucas pessoas realizando suas atividades matinais um tanto distantes de nós pensando em como resolver seus problemas. Mas naquele momento só nós, nossos chinelos e a areia e o mar e o céu e aquela frase existiam.


Lucas Sales Viana

sábado, julho 09, 2011

Pode ser?

Um homem pode ser ótimo em lembrar rostos e péssimo com nomes, mas não é de todo ruim quando, por ele, cada rosto guardado tem um nome dado. O moleque de cabelo loiro e espetado e com espinhas no rosto, a garota canhota do sofá com um violão, a menina que parece ser mais bonita por foto, o cara de olhos puxados que corre como o vento, a garota pequena de sorriso contagiante... E tem também aquela bela garota de cabelos longos e lisos e negros e de óculos escuros e camiseta branca e solta, denunciando um belo par de seios, e calças jeans coladas (que pernas!) dentro de um ônibus.

Um homem pode ser sortudo, ou não, ao entrar pela segunda vez pela porta da nova sala da nova faculdade do novo curso, após tomar alguns goles de água que saíram do novo bebedor e reconhecer aquele rosto sentado numa das cadeiras da sala da sua nova faculdade, no “primeiro” dia de aula. A garota sentada estava a duas cadeiras da mochila dele com uma camisa negra e sem os óculos. Nossa! Que olhos são esses, meu amigo. A conhece, ouve o nome daquele rosto e percebe um curioso sotaque, doutra região. Os novos colegas e futuros amigos começam a chegar e a ocupar os vazios entre eles e ele lembra que namora então.

Um homem pode ser louco ao convidar tal garota pra sair, buscá-la na sua nova casa e perceber o ciúme da sua então garota sentada no banco do passageiro. Chegar a um bar e sentar-se numa das mesas do restaurante ao lado, enquanto espera pelos amigos que ainda não chegaram, ele em um lado, tal morena à sua frente e a namorada ao lado esquerdo dele, e, de forma discreta, ou não tão discreta o suficiente, encarar por alguns instantes aquele belo decote enquanto ela escolhe alguma coisa no cardápio é o suficiente para um olhar irado e um cutucão por debaixo da mesa. Sentir um certo incômodo ao ver a garota ficando com outro é o máximo.

Um homem pode ser cego ao não ver o que está na frente dele, a ignorar os discretos e rápidos sinais que escapam vez por outra durante as conversas, uma brincadeira, ou um olhar mais longo, e surdo ao não ouvir o que os novos amigos falam sobre essas “brincadeiras” e essa amizade um pouco diferente, e mudo ao não falar nada em diversas oportunidades por receio de que momentos passados e devera ruins voltassem a ocorrer com tal. Lutar contra a realidade dos fatos se faz fácil quando acordado, entretanto, resistir a um incomum sonho que o faz acordar com os olhos dessa na sua cabeça é impossível.

E um homem não pode ser idiota o suficiente para estragar qualquer tentativa de aproximação dessa pessoa, não depois da sua natureza gritar e mostrar de forma bem clara o que deve ser feito. Ou pode?


Lucas Sales Viana

quinta-feira, julho 07, 2011

Corações que se partem..

Oh, não chores… Parte-me o coração quando uma garota chora por amor.
Eu sei que é difícil… Sentir-se impotente nessa hora é comum, o aperto no coração, como se ele fosse encolher até sumir, é comum, a dor que parece insuportável… As memórias alegres e as tristes e as únicas, aquelas que você sabe que nunca vão sair da sua linda cabecinha…
Eu sei, querida, eu sei… 
Vai doer, você vai chorar, você vai gritar, você pode até se perder por isso…
Tempo!
Ah, o tempo, ele não cura, ele cicatriza, ele reconstrói o seu coração, ele faz você superar toda essa perda, e, quando você tiver alguma lembrança daquele passado, você não vai mais chorar, nem se sentir triste…
Acredite nisso…
E, acima de tudo,
Ame-se!
Você é ÚNICA!

Lucas Sales Viana 

quarta-feira, junho 29, 2011

Vermelho

Entre no meu carro, garota.
Ele é novo
e é vermelho

Não tenha medo.
Não mordo,
a não ser que...

Coloque o cinto,
ajeite o assento.
Não mude a música, ainda,
é uma das minhas favoritas.

Meus óculos, eu gosto deles.
Eu sei que você também,
mas não posso ficar sem...

Não me pergunte para onde vamos,
é uma surpresa.
Ou me pergunte,
hipnotize-me com seus olhos.

Eu gosto do seu jogo
e como gosto.
“Me faz” um favor, abra o porta-luvas

Eu tenho grandes planos para nós, garota.

Lucas Sales Viana

segunda-feira, junho 13, 2011

"Os piores meses de todos até agora".

For all,
After ten months, or more, i finally got better, it was hard. I’ve became sad, barely depressed, neither an approve in college made me better. I said: “I passed, that’s all.”
I lost important things, i lost a grandpa, i “lost” my father for a time and a girl, almost in the same time. This was “The worst months at all so far”… Criative, not?
After long and sad ten months we lost one of the pillars. Everybody got lost, the three men of family, dad, brother and i, in diferent ways.
The first, the older, worked a lot and became the silence for a long, for truth, he didn’t know how to deal with that.
The second, the firstborn, even so far, almost lost his family, he became impacient with them.
And i, the younger, became fragile and lacking of attention, i mean, no one asked me how i was really dealing with all, even my girl, i don’t blaim her, i was a dick. I became stupid, i did stupid things. I almost died in a car hit, i was speeding, I got drunk for the first time in my life, i took awful grades, i lied to her, other things and, in the middle of this, i found a time to lose my girl. Take a look, man, i was amazing.
But, just now, after a real talk between me and my old, not like two men, but, father and son, I finally saw the good things around me. I’m really feeling me good.
My little sister (She loves me and i love her as a father), mom, dad, “little” brother, older brother and a few real good friends, i want to say thank you, each one helped me in their own way.
Now, it’s up to me, i will take back what i lost in “The worst months at all so far”…
Lucas Sales Viana

domingo, junho 12, 2011

La Fecilità...


E crescendo impari che la felicità non è quella delle grandi cose.
Non è quella che si insegue a vent’anni, quando, come gladiatori si combatte il mondo per uscirne vittoriosi… La felicità non è quella che afanosfamente si insegue credendo che l’amore sia tutto o niente… Non è quella delle emozioni forti che fanno il “botto” e che esplodono fuori con tuoni spettacolari…La felicità non è quella di grattacieli da scalare, di sfide da vincere mettendosi continuamente alla prova.
Crescendo impari che la felicità è fatta di cose piccole ma preziose… E impari che il profumo del caffè al mattino è un piccolo rituale di felicità, che bastano le note di una canzonele sensazioni di un libro dai colori che scaldano il cuore, che bastano gli aromi di una cucinala poesia dei pittori della felicità, che basta il muso del tuo gatto o del tuo cane per sentire una felicità lieve.
E impari che la felicità è fatta di emozioni in punta di piedidi piccole esplosioni che in sordina allargano il cuore, che le stelle ti possono commuovere e il sole far brillare gli occhi…
E impari che un campo di girasoli sa illuminarti il volto, che il profumo della primavera ti sveglia dall’inverno, e che sederti a leggere all’ombra di un albero rilassa e libera i pensieri.
E impari che l’amore è fatto di sensazioni delicatedi piccole scintille allo stomaco, di presenze vicine anche se lontane, e impari che il tempo si dilata e che quei 5 minuti sono preziosi e lunghi più di tante ore…
E impari che basta chiudere gli occhi, accendere i sensi, sfornellare in cucina, leggere una poesia, scrivere su un libro o guardare una foto per annullare il tempo e le distanze ed essere con chi ami.
E impari che sentire una voce al telefonoricevere un messaggio inaspettato, sono piccolo attimi felici.
E impari ad avere, nel cassetto e nel cuore, sogni piccoli ma preziosi.
E impari che tenere in braccio un bimbo è una deliziosa felicità.
E impari che i regali più grandi sono quelli che parlano delle persone che ami…
E impari che c’è felicità anche in quella urgenza di scrivere su un foglio i tuoi pensieri, che c’è qualcosa di amaramente felice anche nella malinconia.
E impari che nonostante le tue difese, nonostante il tuo volere o il tuo destino,
in ogni gabbiano che vola c’è nel cuore un piccolo-grande Jonathan Livingston.
E impari quanto sia bella e grandiosa la semplicità.

Fabio Volo

--x--

Ao crescer, você aprende que a felicidade não é aquela das grandes coisas.

Não é aquela que se busca aos 20 anos quando, como gladiadores, combate-se o mundo para se sair vitorioso dele.

A felicidade não é aquela que, sem fôlego, se busca acreditando que o amor é tudo ou nada.

Não é aquela das emoções fortes que fazem barulho e explodem com trovões espetaculares.

A felicidade não é aquela dos arranha-céus para subir, dos desafios para vencer, colocando-se continuamente à prova.

Ao crescer, você aprende que a felicidade é feita de coisas pequenas, mas preciosas…

Aprende que o cheiro do café de manhã é um pequeno ritual de felicidade, que bastam as notas de uma canção, as sensações de um livro de cores, que aquecem o coração, que bastam os aromas da cozinha, a poesia dos pintores da felicidade, que basta o focinho do seu gato o seu cachorro para sentir uma felicidade delicada.

E aprende que a felicidade é feita de emoções na ponta do pé, de pequenas explosões que suavemente abrem o coração, que as estrelas podem te comover e o sol faz os olhos brilharem. E aprende que um campo de girassóis sabe iluminar o teu rosto, que o cheiro da primavera te acorda do inverno, e que se sentar para ler à sombra de uma árvore relaxa e libera os pensamentos.

E aprende que o amor é feito de sensações delicadas, de pequenos brilhos no estômago, de presenças próximas mesmo que distantes, e aprende que o tempo se dilata e que aqueles cinco minutos são preciosos e longos, mais do que tantas horas. E aprende que basta fechar os olhos, ligar seus sentidos, ficar na cozinha, ler uma poesia, escrever em um livro ou olhar uma foto para anular o tempo e as distâncias e estar com quem ama.

E aprende que ouvir uma voz ao telefone, receber uma mensagem inesperada são pequenos momentos de felicidade.

E aprende a ter, na gaveta e no coração, sonhos pequenos, mas preciosos.

E aprende que ter nos braços uma criança é uma felicidade deliciosa.

E aprende que os maiores presentes são aqueles que falam das pessoas que você ama.

E aprende que existe felicidade naquela urgência de escrever em uma folha os seus pensamentos, que existe alguma coisa amargamente feliz também na melancolia.

E aprende que apesar de suas defesas, apesar do seu querer ou do seu destino, em cada gaivota que voa existe no coração um pequeno-grande Jonathan Livingston.


E aprende o quanto é bela e grandiosa a simplicidade.

sábado, junho 11, 2011

Consequências de um erro...

E, mais uma vez, depois de algumas cervejas, à frente da janela do último andar do apartamento, olhando fixamente para o mar que imagino, ouvindo Narvaez enquanto mastigo um palito de madeira e respiro calmamente, rio do futuro que vejo, de todo esse circo criado. Rio e aplaudo e aponto e ainda pego uma pipoca do balde vizinho. Eu estava certo, de novo. Veja só...

Eu me sinto novamente completo depois de um tanto de tempo de perdas irrecuperáveis e incompreendidas por alguns idiotas e imaturos... Quer dizer, eu ando entre as pessoas e vejo elas olharem para mim, algumas com um certo interesse. Mas são todas iguais, modeladas e treinadas, falam a mesma coisa, andam do mesmo jeito, vestem as mesmas roupas e pior, não pensam por si... Descartáveis...

E eu, como um saudosista nato, relembro naturalmente do meu passado, sim, ele foi bom, mas acabou, e isso, agora, é bom. Pude eu conhecer e trabalhar em e descobrir outras pessoas. Eu venho apostando em uma em específico, mas não tenho pressa, talvez ela já desconfie, talvez não, talvez ela já quisesse, mas eu não podia, eu estava preso ao meu código...


Lucas Sales Viana

sábado, maio 28, 2011

Cinco para uma.

Era noite e sozinho aquele corpo negro na quase escuridão de uma rua mal iluminada do centro daquela velha cidade andava. Era o vigésimo quarto dia de um mês perdido de um ano qualquer de uma década de merda. Sentou-se ali mesmo, na sarjeta como diriam os antigos, acima, o único poste que funcionava num raio de duzentos metros. Segurava um “Waiting for the sun” entre os braços e mais alguns papéis sujos.

Podia ouvir barulhos ao longe, havia pedras de calçamento soltas ao lado, sentiu-se seguro, pelo menos daquilo não precisaria fugir. Os pensamentos apareciam como baratas que saiam do ralo do outro lado da rua com aquelas antenas e patas e asas nojentas e sujas e... pisou numa... Odeio baratas, resmungou baixo enquanto raspava a bota esquerda no chão.

Ficou de costas e apoiou-se ao poste, colocou o disco nas coxas, os papéis em cima e puxou uma caneta ao que parecia de dentro do sobretudo... Eu só espero que essa maldita luz não apague, resmungou antes de começar. Não conseguia [eu] ver o que [ele] escrevia, mas era alguma coisa aquilo, ele não se mexia, exceto o braço direito que vinha de lá para cá e de lá para cá e a cabeça que vez por outra balançava como quem reprova os próprios pensamentos... Oh, ironia linda e má, o maldito poste piscou e morreu e acendeu, alguns passos vinham, contou quatro ou cinco, não tinha certeza, preferiu sair antes de tudo escurecer, morreu de novo.

A morte chegara, levantou e tropeçou nas pedras e derrubou os papéis e o disco clássico e caiu de cara no chão, os passos aumentaram, o instinto gritou e ele correu, os passos corriam, entrou à esquerda numa rua que não sabia e não parou, foi até o final, acertou um maldito muro, caiu, levantou-se, curvou-se, dor, o nariz era estória, a testa estava alta e o ombro direito doía, havia sangue na boca... Não, não hoje, hoje não, dane-se!

Afastou-se e correu e pulou e agarrou-se ao muro... Era noite.

Lucas Sales Viana

segunda-feira, maio 23, 2011

A última oração...

É estranho ainda para mim a forma como eu escrevo, como eu tento criar, ou, simplesmente, reproduzir algo ocorrido comigo ou visto por mim, todos tem um tanto de dificuldade.

Elas me disseram, talvez por brincadeira, que eu estava apaixonado por ti, e isso não é de todo verdade. “Coração não é tão simples quanto pensa”, eu por horas penso não ter mais um, devido à... Ah! Você sabe... Mas, droga, era pra ter sido só um sonho, era pra nem ter sido... Por que tem que ser assim, por que não se pode somente dormir e acordar, como se nada acontecesse nesse intervalo, seria tão mais fácil para todos.

Eu sempre falo que tudo é complicado, talvez nem seja, mas talvez seja, veja só, depois desse tempo, seria complicado (para mim) chegar à ti e dizer que ela, na verdade, eras tu. Imagines só a cena: Eu a chegar e a ti olhar, tu sempre bela e com esse olhar que me complica. Teria eu que falar ao teu ouvido que és tu a de olhar único, falar-te que foste o meu sonho, o meu texto, o meu dia.

E olharias para mim e pensarias e... E eu não sei o que poderia sair da tua boca, talvez um “sim”, ou um “não, não me interessas”, ou o clássico, e quase automático, “talvez”, o que seria deveras engraçado. Depois de toda uma declaração assumida, tu me vires com um confuso “talvez”, sim, seria divertido, eu iria dar um sorriso, afinal eu sei que somos por natureza complicados e indecisos.

Mas, com toda a certeza, isso não irá ocorrer, não por agora, eu preciso, por uma questão de cuidados, afinal eu já me arrisquei a pular e caí feio uma, duas vezes, você bem sabe disso, esperar um tempo para ter uma certeza maior, afinal, nós precisamos, na nossa mediocridade masculina e medrosa, vetorizar um sentimento, porcentá-lo (talvez nem exista esse verbo) para então sabermos se nos vale, ou não, tirar a máscara.

Ah... essas malditas máscaras, esses sentimentos, esses medos, esses textos, esse tudo... e amanhã é outro dia, óbvio, tão óbvio quanto saber que aqueles mesmos olhos estarão logo ali, volta e meia, olhando para mim e... Já sei como resolver isso.


Lucas Sales Viana

quarta-feira, maio 18, 2011

Logos X Pathos


Na ausência do coração, dado outrora, se faz líder de todo eu a massa cinzenta localizada acima do faltante.
Esta, por sua vez, por falta de oposição, feita sempre por aquele, absteve-se de toda e qualquer futura decisão por tempo indefinido, haja vista a não permissão por parte da ordem vigente que decisões sejam tomadas na ausência de um ou mais participantes.
Doravante, até nova audiência onde todos os participantes estejam presentes, fica decidido então, atuação randômica e não punível para as mais diferentes situações que possam vir.
Ademais, fé no que virá.


Lucas Sales Viana

domingo, maio 15, 2011

Você me diz o que fazer agora.

Um mês de quase silêncio. Olhando e ouvindo e pensando. Já nem sabia como começar aquilo, ainda tentava colocar ordem às ideias, quem nunca passou por tal situação? Não sabia o que escrever. Um conto, uma crônica, uma carta, talvez nada sairia dali além de um simples texto, um punhado de frases organizadas em parágrafos que contariam algo novo ou velho ou que ainda iria acontecer, ou não...

“Você, depois de tanto tempo, apareceu no meu sonho e isso, pra começar, já é no mínimo estranho. Éramos você e eu e um quarto e uma cama, em pé estávamos, você, agarrada ao meu pescoço, suspensa com as pernas entrelaçadas em minha cintura e nossas bocas bem próximas, talvez estivéssemos nos beijando, ou apenas sussurrando algo ao outro. Eu me lembro de falar algo e de você abrir os seus lindos olhos e mirar os meus. Aquilo foi tão forte e único que me fez acordar, eu não consegui pensar em nada por um instante, a imagem projetada à minha frente dos seus olhos ainda fitavam os meus.

Levantei-me depois, era hora do almoço, a noite anterior havia sido interessante. Toda a rotina de um sábado morto eu fiz. Eles continuavam ali, quando eu olhava para o lado, eu era preso na confusão do seu olhar, e eles me diziam tudo e me diziam nada, tentava me organizar e sair daquela bagunça de sentimentos e sensações... eles continuam aqui, agora, me confundindo e contrariando e mostrando algo que nunca tinha percebido antes.

Não é sua voz, nem sua forma de andar, nem seu cheiro, nem seus longos e lisos cabelos, nem seu corpo, nem sua cara quando está com raiva. O seu olhar me desconcerta, me tira a máscara e me faz silenciar...”

E a culpa disso tudo era dele, ele se deixou levar mais uma vez.


Lucas Sales Viana

terça-feira, abril 12, 2011

Hércules é um poeta.

Terça-feira, fim de tarde, inicio de noite, livros espalhados sobre a mesa, caderno, lapiseira, caneta e borracha, notebook aberto, Plant cantando. Que merda, eu preciso ir malhar, preciso esquecer essa prova de amanhã. Tênis, bermudão, camiseta regata, luvas... Não, deixa as luvas aí. Chave da casa e do carro. É mais rápido, eu ainda preciso terminar o trabalho daquela coroa gostosa.

Cinco minutos mais tarde, estacionar o carro ao lado da academia. Eu soube que você terminou o namoro, como você “tá”? Não sei, acho que bem. Terminou o namoro, cara? Foi, Hércules. Relaxa, irmão, acontece, vai lá malhar. Alongamento, aquecimento, ficha de instrução. Peito e tríceps hoje. Droga, meu braço ainda dói, que se foda! Supino reto, cinquenta quilos. Quer um toque, velho? Pode ser.

Série um, dois, três e quatro. Crucifixo sentado. Cara, vocês sempre se deram bem, o que foi que você fez? Briguei feio, falei de mais, falei merda, daí, sem retorno, cara, fim da linha, pelo menos naquela hora. E ela? Ela? Ela tá lá, não tenho a menor ideia de como ela deve tá, mas deve tá bem,
pelo menos foi o que a amiga dela me falou.

Pausa para a água. Mais uma máquina e outra, água, ler o jornal, zoar o time colorido dos colegas. Rumores de festa surgem. Deixa eu voltar pra minha musculação.

Tríceps P.S. Série um, dois, três, quatro. Hey, Carlo, ânimo, quer um conselho? Manda, Hércules. Tríceps Francês. Como foi o fim? Série um. Foi foda, briga feia. Mas você ainda gosta da menina, claro, né?! É, né. Série dois. Te digo uma coisa, você pode escolher entre ficar remoendo o passado, em como podia ser diferente, ou pode seguir em frente, procurar por alguém que realmente valha à pena, entende? Entendo, velho. Série três. Coice. Um, dois, três, fim.

Água e alongamento. Carlo! Manda, Hércules. Mulher é igual biscoito, vai um, vem dezoito. Risos pela academia. Mas, falando sério, pensa sobre o que eu te falei, você tem duas opções, pensa bem... Valeu, Hércules, vou me lembrar dessa frase filosófica. Abraço, velho. Carro, casa, banho e janta.

Quarto, mesa, notebook aberto, música pausada. Ótimo, ninguém falou comigo, nenhuma ligação. Começar os desenhos. Desenha o primeiro. Merda de desenho, encaixa, porra! Segundo. Que merda, não sei nem por onde começar. Pausa. Abre o notebook, fala com ela. Frieza, indiferença, rancor. Preciso do meu casaco, só isso, você nem usa mais. De volta ao Desenho.

Desenho 4. Esse foi fácil, faltou só essa parte, eu vejo isso amanhã. Desenho 3. Trabalhoso, mas está feito. Merda, qual das duas opções eu escolho? Preciso terminar o dois ainda. E que merda de frase é aquela do Hércules?! Pausa para uma pequena escrita. Faz tempo que não escrevo nada de interessante... como se isso fosse, enfim... No final das contas eu fico com a opção número três.

Lucas Sales Viana

quarta-feira, março 23, 2011

Putas nem sempre são putas

Eu não trato mal, nunca tratei mal, não importa se seja uma puta ou não, toda mulher tem sua dignidade. Ela era boa comigo, ela sempre foi boa comigo, ela costumava ser boa comigo, costumava. Dei meu coração a ela... Nós homens sempre pagamos o maior preço por uma boa mulher, o nosso coração. O meu é dela. E vejam onde eu fui parar. Sentado nu em frente à máquina velha de escrever num quarto caótico de um hotel velho e sujo de beira de estrada com uma jovem garota e seus poucos dezoito anos e pequenos seios duros e uma vagina confortável e quente coberta por um lençol sujo de porra.
Eu poderia salvá-la, poderia... Ela só quer sustentar a família pobre, uma pena, ela poderia ser uma excelente médica, ou o que mais ela quisesse. Quem sabe o mundo ela teria. Talvez ela só queira dormir um pouco e sonhar, sonhar um lindo sonho que a faça acreditar que o mundo é azul com um campo florido e perfumado e um belo sol amarelo e grande. Então ela irá acordar e o soco mais forte e ríspido e cruel lhe acertara em cheio e ela cairá. A realidade de um lençol sujo e uma cama desarrumada e  um homem nu de costas sentado e um ardor entre as pernas e o gosto ruim de porra e algumas notas amassadas ao lado da cama em baixo de uma garrafa vazia de cerveja.
Eu poderia sentir vergonha por ela enquanto ela veste o fino e surrado vestido, ou pena, ou carinho, ou amor. Eu poderia sentir por ela e por mim... Ela já saiu, e eu nem...  Qual era o nome dela?


Lucas Sales Viana