sexta-feira, setembro 16, 2016

Dezessete de Setembro de 2011.

Olá para quem ainda acompanha isso. Talvez essa seja a única postagem minha, que eu lembre, sóbrio. Aquele que aqui costuma escrever surge mais facilmente após doses e mais doses de álcool. A verdade é cuspida mais facilmente quando se está ébrio.
Nesses últimos meses, a cada nova postagem questionei-me a razão de continuar aqui, hoje cheguei a dupla conclusão de que não se é mais necessário manter isto. Dupla conclusão? Sim. Tanto o bêbado que escreve, como o sóbrio que lê no dia seguinte, ainda que ressaqueado, perceberam finalmente o óbvio.
Enquanto estava eu a organizar e retirar todos os comprovantes de pagamentos e “lixos” da carteira deparo-me com um pequeno papel dobrado quatro vezes, um pouco sujo e com alguns rasgos. Esse papel me acompanha a tanto tempo que eu não soube no momento precisar, veio-me então aquela curiosidade cruel, a de abrir e reler outra vez o que ela havia escrito. Li da primeira letra até a assinatura final, sem tristeza no coração e com um sorriso cada vez mais raro de aparecer. O sóbrio apertou a mão do bêbado.
Em respeito a você, aos amigos que ainda acompanham, e aos desconhecidos, decidi escrever pela última vez aqui, em definitivo. Noutras épocas fiquei incerto em manter este diário virtual, cheguei a apagá-lo algumas vezes, dessa vez a certeza é uma só, a de que não se pode apagar o passado das nossas vidas, mas se pode pôr um fim. É passado da hora desse blog parar, foram seis anos desde a primeira postagem, cinco desde a primeira postagem sobre você, quatro dedicados exclusivamente a ti. E assim como você deu sentido ao blog, você deu sentido a mim. Mostrou-me, da sua forma, as razões que nos levam a estarmos vivos e o que podemos fazer de melhor nesse período de transição. Você conhece-me melhor que ninguém e tirou-me de um estado perigoso quando nos conhecemos. A isso serei eternamente grato.
Todos os dias desde que eu te conheci, sem hipérbole, eu penso em você. Hoje, quando eu olho para trás, apesar de todas as falhas que cometemos, e todos os defeitos que possuímos, eu tenho a mesma certeza que tive ao te abraçar pela primeira vez deitados num “puff” qualquer em um salão escuro com uma imagem de rio projetada numa das paredes. Você sabe qual.
“Deus perdoa, mas o preto não! ” Hoje eu faço piada escondendo a certeza de que me faltou maturidade e sobrou egoísmo. A maior lição que fica disso tudo é a de que eu preciso aprender a perdoar. E foi esse papelzinho velho, cansado, mas verdadeiro, que me trouxe até aqui. Lê-lo hoje antes de ir trabalhar, em vez de apenas repetir a segunda parte dele, antes de sair de casa, como faço todos os dias desde o dia em que consegui decorar a oração, levou-me a isto. Eu não lembrava que ele estava comigo a tanto tempo, nem tampouco o que havia escrito na primeira parte.
Você sempre será a minha musa, a mulher que eu mais amei e ainda amo. Ver-te sorrindo hoje me faz tão feliz quanto antes. E pelas vezes que te magoei e decepcionei, eu peço perdão. Eu sou meio idiota, você bem sabe disso. Seja sempre maravilhosa!

Do seu,

Ps: Ah! Hoje coincidentemente completam cinco anos que o papel está na minha carteira.
Anexo 1 -Carta aos quase dez meses de namoro, escrita por ela a mim.             Set/12
“Aos nossos quase 10 meses de namoro, já não tenho dúvidas sobre esse amor tão singular que sinto por você, e sei que você apresenta esse mesmo sentimento por mim.
Por isso, nós sempre procuramos proteger um ao outro de alguma forma, ouvindo, aconselhando, sentindo ciúmes, esperando no ponto de ônibus. São coisas simples como essas que nos fortalecem e nos tornam mais unidos.
Não sei você, sempre penso que poderia fazer algo a mais para poder ficar do seu lado por mais tempo, só ali, os dois bem quietinhos. Mas a vida não funciona assim, a gente se afasta, não tem jeito! E são nessas horas que eu me pergunto se você deve estar bem.
Conheço-o bastante, a ponto de saber que você talvez deteste isso. Contudo, você não é um “bruto”, como dizem por aí. E seria muito importante, para mim e para você, que visse, guardasse e lesse com muito carinho cada palavra desse papel.
Eu amo você!
Ps: Por favor, não veja isso como algo apenas de cunho religioso, por mais que eu saiba das suas opiniões sobre isso. Mas você acredita em Deus, já me disse isso. E, por diversas vezes, Ele cuidou da gente. Por isso, peço pra você fazer esse esforcinho de ler, se possível, diariamente a mensagem bíblica que o apresentarei agora.
--x--
SALMO 91
Aquele que habita sobre a proteção do Altíssimo, à sombra do Onipotente descansará.
Direi do Senhor: Ele é o meu Deus, o meu refúgio, a minha fortaleza, e nEle confiarei.
Porque Ele te livrará do laço do passarinheiro e da peste perniciosa.
Ele te cobrirá com as suas penas, e debaixo das suas asas te confiarás; a sua verdade será o teu escudo e broquel.
Não terás medo do terro da noite nem da seta que voa de dia, nem da peste que anda na escuridão, nem da mortandade que assola ao meio dia.
Mil cairão ao teu lado, e dez mil à tua direita, mas não chegará a ti.
Somente com teus olhos contemplarás, e verás a recompensa dos ímpios.
Porque tu, ó Senhor, és o meu refúgio. No altíssimo fizeste a tua habitação.
Nenhum mal te sucederá, nem praga alguma chegará à tua tenda.
Porque aos seus anjos dará ordem a teu respeito, para te guardarem em todos os teus caminhos.
Eles te sustentarão nas suas mãos, para que não tropeces com o teu pé em pedra.
Pisarás o leão e a cobra; calcarás aos pés o filho do leão e a serpente.
Porquanto tão encarecidamente me amou, também eu o livrarei; pô-lo-ei em retiro alto, porque conheceu o meu nome.
Ele me invocará, e eu lhe responderei; estarei com ele na angústia; dela o retirarei, e o glorificarei.
Fartá-lo-ei com lonjura de dias, e lhe mostrarei a minha salvação
--x--
Com amor,
(Você)”

quinta-feira, setembro 01, 2016

Quatro de Dezembro de 2015.

Uma pequena lembrança irrisória que jogo a pretexto pra atualizar esse "diário":

Cheguei em casa, plena quarta, ébrio o suficiente a me permitir escrever qualquer coisa fora o livro, não que eu tivesse a intenção de escrever, mas fui dragado por aquela lembrança ao escutar uma música dos Selvagens que já ouvira a tempos. Toco uma vez, pela segunda, e na terceira volto e lembro-me de Rubem Alves. Não me pergunte o porquê.

Rubem me foi apresentado graças ao desinteresse da primeira namorada que tive por sua escrita, doou-me um livro que à época era de leitura obrigatória no colégio. Ela odiara, já eu... Escritor espetacular e de palavras sinceras. Anos depois resolvo, após encontrar essa obra perdida numa das minhas grandes bagunças, comprar outro do mesmo escritor, afinal um só nunca é suficiente.

"Pensamentos que penso quando não estou pensando", o título me chamara a atenção, e graças a minha superficialidade e habilidade em julgar os livros por suas respectivas capas decidi adquiri-lo. Sorte a minha.

Rubem mais uma vez me surpreendera, e apesar da pouca maturidade para absorver tudo o que ele tentava me passar, guardei o que pude na lembrança. Eis que hoje, sabe-se lá por que diabos hoje, entra então a característica mais intrigante que a vida nos oferece, aleatoriedade de eventos.

Aleatoriedade essa o suficiente para disparar esse trecho na minha lembrança, para convencer-me a voltar a esse diário virtual que cada dia mais perde o sentido de existência.

Cada verso da música ecoando na minha cabeça ia contra a cada palavra escrita sabe-se lá em qual página de Rubem. E mesmo antagônicas, só agora me fazem sentido.

Aquele senhor uma vez me disse que o sentimento da saudade era a nossa essência sussurrando-nos aos ouvidos aonde deveríamos ir. Os Selvagens me confessavam o trágico, o "não" mais doloroso, o próprio "não" ao amor impossível, àquele amor que fomos, ou seremos um dia, todos reféns, aquele que nos escapa.

No final todos temos a razão, ou melhor, ninguém a possui. Racionalizar tal sentimento, cada vez mais raro, mas não tão complexo, tentar expressá-lo em palavras, enquadrá-lo num binômio é tão mais desnecessário quanto vivê-lo. Vivam-no. Aceitem-no. Para o amor, não há certo ou errado, há somente de ser verdadeiro.

Lucas Sales Viana

terça-feira, agosto 16, 2016

Falando em você...

...
Decidi escrever,
quanta novidade,
esse poema
branco e livre.
Perfeição pouco importa
A Verdade, essa sim.

Olhos de jabuticaba
Cabelos nanquim
Espírito livre
Sorriso desconcertante
Gênio enigmático
Cheiro... Ahh, o seu cheiro

Pensar em você
tornara-se o meu ritual matinal,
vespertino, noturno.
Tornar-se-ia passatempo,
tornou-se tormento.


Lucas Sales Viana

quinta-feira, junho 23, 2016

Quarto Minguante

Sentado frente a esta máquina
bebendo, ao som de Page e Plant
relembro-me do que sou
aquele que escreve (e bebe).

O trabalho drena-me a vitalidade
os estudos e as distrações também
e o que me resta senão
as migalhas d'alma.

Verdades vãs, desabafos vazios
lágrimas não mais, carrancas a todos
e aos que sobreviverem flores.

A vida é somente uma, igual a todos
mas cruel a aqueles que não se atentam
à sua fugacidade.

Lucas Sales Viana


quarta-feira, maio 11, 2016

[Dis]Soneto da [In]Fidelidade

De tudo ao meu amor tentei ser atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo frente a tantos encantos
Prendi-me aos mais belos momentos.

Quis viver-te em cada vão momento
E em teu louvor hei de espalhar meus riscos
Rimos tantos risos, derramamos alguns prantos
Em nossos pesares ou contentamentos

E assim, quando um dia me procurares
Quem sabe na morte daqueles que viveram
Quem sabe na solidão daqueles que amaram

Eu possa te dizer, amor (que tive):
Que teria sido imortal, mesmo sendo chama
Infinito e duradouro, se sincero.



Lucas Sales Viana

segunda-feira, abril 11, 2016

Os guardanapos do bar sabem do óbvio

Não importa escrever esses riscos
em um guardanapo
numa carta
ou no livro.
Se quando sinto teu cheiro enquanto beijo-te a mão
todas as palavras me fogem
um vazio invade a mente
e a nostalgia, meu coração.
O que devo fazer é algo simples
pegar o longo caminho para casa.


Lucas Viana

quarta-feira, janeiro 27, 2016

Às flores que não florescerão nos nossos jardins.

[...]
Chego então a isto, ao epílogo deste romance, mais breve que o esperado, de um final nada desejado. Pelo menos conseguiu concluir. Diria ela, se cá estivesse, sempre me trazendo um otimismo, que pouca diferença faz agora.
Imagino-me a sua porta vestido com o cabelo bagunçado, sem banho tomado, cheirando ainda a cerveja e uísque, e com meu uniforme, a camisa preta, o par de calças jeans bem surrado e o par de botas. Seguro um envelope fechado sob o braço direito. Respiro fundo e estico o outro para alcançar sua campainha. Meus óculos escuros nuveiam a ressaca e o cansaço, o sorriso raso mitiga a tristeza do que de certo seja o último encontro.
Que você está fazendo aqui? Trouxe isso, queria que você desse uma olhada antes de tudo. O que é isso? Outra caixa de coisas que você encontrou pra me devolver? Não, um rascunho. Não vou ler, te pedi para jogar fora tudo que fosse nosso, assim como você fez com as minhas e as nossas coisas. Eu olharia para o chão, abriria outra vez o sorriso cansado, engancharia o pacote entre as grades do seu portão e diria qualquer coisa me virando para ir embora. A gente terminou... Eu sei, mas eu escrevia para você, os melhores sempre foram sobre você, para você, assim como isto. Mas eu não quero ler, Lucas! Não posso! Tudo bem. Queime então, jogue no lixo, nada mais justo, nem para limpar a bunda isso serve. É meu último presente, minha musa. Meu passaporte para a liberdade, como você diria.
Eu te pedi para não fazer mais isso, pedi para apagar os textos, jogar fora, você me magoou demais, mais do que eu jamais pudesse imaginar, não posso voltar. Não posso! Eu sei. Não tô te pedindo isso, apenas que leia, não temos mais jeito, eu sei bem disso, bem antes de terminarmos. Você ler é a última parte do meu ritual, lembra? Vivemos o momento, em alguma noite seguinte eu bebo, me meto a escrever sobre você e então te entrego, você lia, sorria e cada vez me amava mais. Dessa vez você não vai seguir os dois últimos passos. Veja, se eu não concluísse isso, dessa forma, eu só iria abraçar mais e mais a sombra que me acompanha e que você conhece tão bem.
Não posso ser mais sua luz, Lucas, ou qualquer blá-blá-blá que você dizia. Apenas leia. E por favor, não jogue fora, é a única versão. Fiz na máquina, a única coisa que escapou da minha fúria. Ou joque, é seu, tanto faz. E respondendo a sua pergunta, vou vistoriar algumas obras esse final de semana por aqui, estou numa pousada aqui perto. Tenha um bom dia. Saio da sua vista pela última vez, sorrindo o sorriso dos mortos, e ansiando por um copo de uísque. Quatro, talvez.
Cada passo dado na direção oposta a você é uma lembrança vindo à tona. O primeiro encontro. O primeiro beijo, torto, é verdade, mas sempre será o primeiro. O primeiro “não”. Os reencontros, o desencontro, a volta em definitivo. É certo que vou chorar, que você também irá, e em cada lágrima nossa haverá um reflexo dos risos e sorrisos gastos nesses últimos cinco anos. Cada abraço. Cada beijo. Cada entrega. Eu vou continuar andando. Sem olhar para trás dessa vez. Caminhos separados. Nô mais, Musa. Nô mais.


Lucas Sales Viana

sexta-feira, dezembro 04, 2015

Sobre tudo que deveria ter sido feito

Eu deveria nunca ter entregue a primeira carta. Eu deveria nunca ter recomeçado a escrever nesse escracho virtual.
Escutar mais, isso ainda me falta. E, apesar de tanto observar e ler os cenários, falta a este bêbado de quinta categoria a coragem do dia seguinte. Aquela que nos prometemos todas as noites antes do primeiro sono. Aquela vã promessa de que amanhã será diferente.
Beber mais, nisso eu já ando trabalhando... Os cascos que se acumulam vazios à medida que me embriago e insisto a escrever resumem os últimos meses. A falsa promessa de alegria engarrafada é o meu “cala-te boca”.
O que mais não temos de falso? Quem seria falso o suficiente para atirar a primeira pedra? Você ou eu?
Um ano longe desse rascunho/projeto de livro me fez perceber o quão estúpido e arrogante eu sou, o quão ingênuo e piegas eu era e por vezes finjo ainda ser.
Ainda me falta um longo caminho para chegar em casa.


Lucas Sales Viana



sábado, novembro 21, 2015

Um brinde ao que não voltará...

"Você está linda!" Eu nos últimos tempos insisto em esquecer de dizer o óbvio, talvez por desleixo, ou por frouxidão, ou por ter essa característica natural de ser acomodado/esquecido.
Desleixado eu sou! Veja só o tempo que eu fiquei longe desse maldito blog, mais de um ano, sem um mísero olá. Desculpas à você e ao blog, afinal muitos desses textos são frutos de momentos ao seu lado, e você sabe disso.
Cá estamos longes outra vez, eu aqui bêbado insone, você aí agarrada à cama, talvez até já sonhando.
Enfim...
“Você é linda!” Todas as fotos e homens já falam isso, é o raso, o superficial, o fácil de ser visto. Se eu pudesse te elogiar agora (tarde demais, Lucas) seria algo arrebatador, daquelas observações que só o meu velho eu era capaz de romantizar.
Algo como:
“Eu nunca deveria te deixar partir, te ver saindo, indo embora, sem sequer te puxar para perto de mim, sem te dar um último beijo, e te lembrar o quanto eu sou louco por ti, o quanto estar contigo me faz bem, rir das besteiras, olhar pros teus olhos e me perder nessa imensidão de sentimentos e sonhos...” AHHHH Foda-se!
Sonhar com você na mesma noite que nos separamos é algo rotineiro, perturbador e amargo. Acordar sozinho nessa cama com a imagem dos seus grandes e lindos olhos me fitando e sorrindo pra mim me enlouquece. Eu me apaixono cada vez mais.
Quase tudo é de se lamentar, as chances perdidas, os caminhos errados e as distâncias desnecessárias que nós mesmo nos impomos. Tudo é de se olhar para trás e sorrir um sorriso nostálgico, ansiando por algo que talvez nunca volte, por aquela oportunidade desperdiçada, aquela que poderia ter mudado tudo...
Mas, nem todas as flores estão mortas, veja só você, voltei a escrever, para sua felicidade e minha má sorte. Depois de tanto ouvir o quanto você gostava de ler as minhas palavras, quase sempre ébrias, e sempre sem sentido. Com a falta de talento usual e a despreocupação gramatical inata eu voltei a escrever. Aquela espontaneidade tola e vazia, a sinceridade escrota e direta e a confusão literária usual ganharam a companhia de um amor velho, magoado e alcoólatra.
Vamos às camas, você à sua, eu à minha.
Amanhã, ou depois, leia isto sabendo que foi para você. Mesmo não tendo lhe dado um simples boa noite, perdoe esse jovem embriagado, com tendência ao romance dramático, que se esquece do básico.


Lucas Sales Viana

quinta-feira, novembro 13, 2014

Your Time Is Gonna Come

Nem hoje,
Nem ontem,
Nem amanhã,
Nem tão cedo
Seja uma boa hora para escrever.


quinta-feira, maio 01, 2014

Outro dia

Nunca aprendi a escrever um poema,
nem poesia, nem sei usar suas regras.
Não tenho paciência para rimar,
muito menos para métrica, apenas escrevo.

Escrevo o que me vier à cabeça e em especial ao coração.
Por que poesia, antes de tudo, deve falar de amor,
o mais puro e verdadeiro que você tiver.
Não importa o quão difícil seja, sempre,
sempre eu disse, escreva com o coração.

Sem ele nada somos,
sem amor nada somos.
Não mais que máquinas insensíveis e gananciosas e fodidas

E por amor eu escrevo.
Por amor, por paixão, por amizade
por cumplicidade e por tudo mais
Tudo que me faça estar ao lado dela.

É por ela que escrevo
E tão somente pra ela.


Lucas Sales Viana

segunda-feira, fevereiro 17, 2014

Crônicas Sem Título - 3

Ela dormiu. Olhei para o lado e me apaixonei pela sétima vez naquela simples noite por ela. A primeira enquanto ela me esperava no terminal de desembarque e me procurava com aqueles grandes olhos por entre as janelas do ônibus. Teve também quando ela correu e quase me derrubou quando pulou pros meus braços. A outra quando ela me disse sussurrando ao pé do ouvido um par de coisas bem interessantes para um jovem rapaz há quinze dias longe da sua amada enquanto voltávamos de táxi para a sua nova casa. A quarta quando ela me mostrou as fotos nossas espalhadas no seu novo mural e todas as outras coisas que eu já havia lhe dado em todos os esses anos juntos. A de número cinco foi quando colocamos em teste outra vez as molas da sua cama. Aprovada! E a penúltima quando ela me olhou bem fundo enquanto tomávamos banho. Aquele delicado rosto, olhos grandes, lábios carnudos e sardas suaves espalhadas, com seus lindos cabelos emoldurando-o é algo que eu ainda tenho dificuldades para descrever. Em uma palavra: Mágico.
Saímos do banho, não esperou eu terminar de me enxugar e roubou a minha toalha para enrolar o seu cabelo, enxugou-se com a dela, deu um sorriso malando seguido de um bocejo imprevisto e foi pra cama. Vem, amor, ela disse cansada e feliz. Que opção eu teria? Ela perguntou se eu queria algo para comer. Não, princesa, não precisa. Vamos dormir mesmo. Mesmo dormindo quase todo o trecho, parecia que eu não dormira nada. Sentou-se na cabeceira da cama e se pôs no seu ritual noturno, passar hidratante por todo o corpo. Ela sabia o quanto aquilo me excitava. As molas da cama também já sabiam. Namoramos outra vez.
Terminamos. Ela colocou a cabeça sobre o meu peito. Comecei a fazer cafuné. Vou dormir fácil desse jeito, ela disse. Eu sei, amor. Conversamos sobre as nossas semanas e o quanto estávamos atarefados. Para mim nada disso importava, todo sacrifício era compensado por aquele instante. Ela cochilou. Amor, tá aí? Oi, ela se virou pra mim. Desculpa, cochilei. Sem problemas, vamos dormir? Sim. Me deu o beijo de boa noite e foi para o lado dela da cama. Sorriu uma última vez e disse que me amava. Também te amo. Fechou os olhos.

E ela dormiu.


Lucas Sales Viana

quarta-feira, fevereiro 12, 2014

Crônicas sem título - 2

Cheguei, eu disse. Dez horas de viagem depois eu olhava para ela através da janela. Seus olhos de jabuticaba corriam pelo ônibus tentando em vão encontrar os meus. Era noite e fazia frio naquela pequena rodoviária de formato semicircular. Cansado da viagem, mas com um sorriso escondido no bolso, atravessei o corredor do ônibus até a porta, desci as escadas procurando por aqueles lindos cabelos negros. Lá estava com um sorriso enorme, braços cruzados e pés inquietos. Correu até mim, pulou e se agarrou.
Cheguei, princesa. Bom dia, amor, ela brincou. Bom dia, paixão, completei sorrindo. Vamos pra casa? Me deu um beijo com todo o seu amor e ali ficamos. Por alguns segundos o mundo parou naquilo, naquele jovem casal apaixonado e sonhador. Me soltou e nós fomos até o ponto de táxi. Entramos e ela deu o endereço. Cinco minutos depois e Dez Dilma$ a menos chegamos ao novo apartamento dela.
Amor, não repara na bagunça, ainda não deu tempo de arrumar tudo. Princesa, como tá o nosso quarto? Tá arrumadinho. Vamos bagunçar então. Ela riu. Entramos. Não estava nada bagunçado. Somente as louças, poucas, sujas. Joguei a mochila no chão. Quer água, ela perguntou. Quero você primeiro. Ela riu. Tentou chegar à cozinha, agarrei-a antes e com um beijo desmontei-a. Ela se rendeu ao meus braços. Fomos para o quarto.

Lucas Sales Viana

terça-feira, fevereiro 11, 2014

Crônicas sem título - 1

Ela mexeu na minha testa. Que susto, eu disse. Eu não consigo mais dormir, posso me deitar com você? Claro. Entrou nas cobertas e se agarrou forte ao meu corpo. Eu não estava acostumado com aquilo. Por razões que pouco importam dormíamos em camas separadas e em quartos separados àquele final de semana. Eu acordei para fazer xixi e quando voltei pra cama não consegui mais pegar no sono. O que houve? Perdi o sono... A de 480 é melhor, amor, ela recomeçou. Quando eles vierem terão um quarto, ela é mais iluminada e ventilada. Mas você adorou a de 400, princesa.  Eu tenho que pensar neles também, não posso ser tão egoísta. Eu sei, paixão. Não tem problema, seja lá qual você escolher, eu vou lhe apoiar e lhe ajudar em tudo, é pra isso que eu estou aqui. Qual você gostou mais? ela perguntou se ajeitando sob a pequena coberta. A de 400, mas se você escolher a outra, ou até a de 550, eu também vou gostar, pouco me importa onde você ficará, eu virei do mesmo jeito e sempre.

Cheirou-me a barba e disse que me amava. Ficamos ali deitados e em silêncio por alguns minutos naquela pequena cama de solteiro jogada ao chão. Eu de olhos fechados e com a cabeça a mil, ela talvez olhando naquele escuro para o que poderia ser a minha orelha, ou talvez ela estivesse igual a mim, tentando decidir qual caminho escolher. Não consegui mais dormir, mas também não abria os olhos, nem falava nada, apenas senti aquele momento e toda aquela insegurança. Vai dar tudo certo, você vai ver, eu te prometo isso, garanti. Virei e encaixei meu corpo ao dela. Ficamos naquela posição e até dormiríamos... Vou pro meu quarto, é melhor, né? Tudo bem, eu disse. E lá se foi ela levando nosso calor juntos.


Lucas Sales Viana

sexta-feira, agosto 09, 2013

Que você construa uma escada para as estrelas e suba cada degrau, meu amor.

- Ei, já cheguei.
- Tá, espera um pouco, pode ser?
- Sim. – Desliguei o celular. Com o carro parado na esquina escura, eu pensava em como seria nossa noite, qual caminho eu pegaria para chegar até o Estoril, se já estaria muito cheio quando chegássemos, ou se a música seria tão boa quanto nós estávamos esperando. Saí do carro, mas sem saber direito o porquê de estar fazendo aquilo, apenas saí. Subi a rua, estranhamente eu sentia essa necessidade de andar, cheguei ao final da rua, olhei para um lado, para o outro, dei meia volta e desci-a.
Olhava de forma despretensiosa para as grades e portões das casas e até pros jardins tristes de algumas outras, eu ainda tentava descobrir o que me dera para estar ali andando... Ao fundo pude vê-la indo em direção ao carro, ela chegou, tentou abrir a porta do passageiro, sem sucesso. Eu ri enquanto se abaixava para tentar ver por entre o vidro escuro, continuei descendo a rua no mesmo ritmo. Chegando mais perto, notei algo diferente, apesar de vestida para sair, não estava com os cabelos tão bem penteados como de costume, tive um mal pressentimento. Então ela me viu, não sorriu, apenas me esperou. Destravei o carro, dei um beijo de olá, ela retribuiu e entramos no carro.
- Não quero mais sair. – Soltou com uma feição séria
- Como é?
Ela suspirou, levantou o olhar – Não quero mais, você ainda quer?
- Aconteceu alguma coisa?
- Não, apenas não estou mais a fim de sair. – E fechou a cara.
- Ok. Vamos pra casa então?
Virei a chave, liguei o som e parti. Mal começamos a rodar e ela me falou sobre uma promoção que estava acontecendo no shopping Benfica, perguntei se ela queria passar por lá e ela topou. Fomos. E aquilo me parecia mais um inferno. Essa cidade se parece cada vez mais com um inferno. O shopping estava lotado de tal forma que mal podíamos andar lado a lado eu e ela. Aquilo me irritara mais ainda. E a ela também. No final ela acabou não comprando. Voltamos para casa.
Eu insistia em descobrir o que tanto lhe estava incomodando, mas ela mais parecia uma rocha àquela garota de sempre. Em silêncio chegamos em casa, estacionei o carro, virei a chave e ela logo tratou de sair. No quarto ela jogou suas coisas ao chão e pra cama foi, fui junto. Ainda perguntei mais um par de vezes e ela continuou dizendo que nada acontecera e que apenas não queria sair. Decidi desistir por aquele momento. Apenas fiz carinho enquanto olhávamos para o ventilador que ficava no teto.
As horas se passaram, ela lá em silêncio, eu no seu pescoço em silêncio. Ora eu me levantava para lhe mostrar algo no notebook, ora ela me chamava para ficar ao seu lado na cama. Contei-lhe que ficaríamos sozinhos naquela noite, que a casa seria somente nossa por alguns dias. Ela deu um sorriso leve e teve uma ideia.
- Vamos para a varanda?
- Sim. – Respondi.
Juntamos um lençol grande, alguns travesseiros gordos e fomos. Abri o lençol por sobre a área descoberta, ela jogou os travesseiros, voltei para pegar o notebook, meu celular e o telefone de uma pizzaria que fica nas proximidades. Coloquei o notebook sobre uma das cadeiras da área, liguei-o e sai. Ela ficou mexendo na máquina, procurando por músicas, enquanto eu entrei para pedir a pizza.
- Pode ser portuguesa? – Gritei de dentro da casa.
- Pode. – Ela gritou de volta.
Fechei o pedido, voltei para o ninho com um par de pratos e talheres. Ela já estava deitada com poucas roupas e olhava para o céu, uma música qualquer tocava, cheguei perto do computador...
- Não mexe aí, vem pra cá. -  Ela soltou.
- Como quiser. – Fui e me deitei ao seu lado e olhei para o céu.
Era uma noite de algumas nuvens e poucas estrelas, essa cidade e suas luzes cada vez mais matam a beleza do céu. Aquela mudança de cenário, de alguma forma conseguiu mudar o humor dela. Ao seu lado deitado e olhando para céu, ela começara a conversar, das bobeiras do dia a dia, aos problemas em casa...
A campainha tocou.
- A pizza chegou! – Corri para pegar e voltei tão rápido quanto para o ninho e lá estava ela sentada à mesa e sem blusa e com um sorriso grande pra mim. Coloquei a pizza sobre a mesa de centro, joguei carteira e as chaves ao chão, tirei a camisa e me aproximei dela. Ela pegou a blusa que repousava sobre o seu colo e a vestiu, deu outro sorriso para mim. – Vamos comer, amor, antes que esfrie... – Ela sabe como me provocar, pensei.
Comemos cada um dois pedaços, ela com sua mostarda e eu com meu ketchup, ela rindo maliciosamente para mim enquanto sua mão escorria por entre minhas pernas e eu sendo afastado a cada tentativa de roubar um beijo mais quente. Terminamos, ela decidiu se levantar e levar a pizza até a cozinha. – Não, amor, é bom guardar, aguenta aí, você vai ficar bem... – Eu me deitei no ninho, puxei um travesseiro para apoiar a cabeça e esperei por uma estrela cadente. A escuridão se fez, com seus cabelos negros ela me tapou a visão, só podia ouvir sua risada e sua respiração. Em seguida ela completou com suas mãos. Eu estava imóvel, e assim queria ficar, eu me perdia naqueles fios e em como eles eram cheirosos. Meu Deus, eu estou fodido, sussurrei.
A luz se fez e com ela uma estrela cadente em forma seminua me apareceu. Essa mulher ainda me mata, aquela silhueta magra e tão curvilínea, com seios firmes, como se a gravidade ainda não tivesse sido ligada, cintura fina e quadris largos, coxas grossas e pele lisa e macia, que se completava com um sorriso misto de ingenuidade e provocação. Ela é a minha deusa.
E o meu demônio. Não deixou eu me levantar, apenas deu meia volta e deitou-se ao meu lado, sorriu para mim e voltou os olhos para o céu, esquecera de mim. Tentei avançar e...
- OLHA! Uma estrela cadente, espera, vou fazer um pedido. – Como eu disse, ela sabe me provocar. Fixou o olhar no traçado, que só ela vira, da estrela e fez o pedido.
- Porra! Já perdi uma estrela, me deitei por um bom tempo aqui e nada, você vem e num segundo essa merda aparece... – Resmunguei. Ela sorriu, riu e me beijou. Afastou-se, deu-me um olhar sério, chegou próximo da minha orelha esquerda e soltou:
- Eu pedi pra gente fazer amor. – E voltou para mim com aqueles olhos de jabuticaba cheios de desejo.
O que eu poderia fazer depois disso?


Lucas Sales Viana

sexta-feira, maio 31, 2013

Vagabundo...

Uma vez gritaram-me:
"Você tem que trabalhar!"
Em vez disso,
comecei a escrever.


Lucas Sales Viana

terça-feira, maio 28, 2013

"Se ela quisesse, se tivesse essa certeza..."

O celular tocou e eu o atendi:

-Oi. Ei, onde fica tua campainha? Você já está aí fora? Sim, mas eu queria tocar a campainha...

Ela riu, eu ri com ela e disse que já estava indo, que não precisava daquilo. Desliguei, procurei a chave entre aquela bagunça que já se formara na mesa. Ela tocou a campainha mesmo assim. Ri mais uma vez.

Parei de frente à porta, olhei pelo olho mágico e lá estava ela a segurar um par de livros, quando percebeu que eu estava a admira-la, chegou sorrindo próximo ao outro lado do olho e arregalou um daqueles lindos olhos que só ela tem. Grandes e brilhantes e escuros como duas jabuticabas bem lisinhas. Abri.

Dei-lhe um breve beijo, uma espécie de “boa-tarde, como você está?”, peguei-lhe os livros e a trouxe para dentro, ela correu para o nosso quarto, atirou a bolsa no chão e se jogou na cama ocupando a sua metade, não que ela só tenha uma metade, muitas noites ela toma a cama por completo. Cheguei depois, joguei os livros sobre uma cadeira, peguei sua bolsa e joguei sobre os livros. Ela deu leves tapas com a mão direita na cama e me chamou com um olhar como só ela sabe. Refém, deitei-me.

Ela me amarrou com seus braços e pernas, me deu um beijo de verdade, como se me dissesse, eu estava morrendo de saudades de você, seu idiota. Ela guiou minha cabeça para o seu colo. E a única coisa em que eu podia pensar era no quanto aquele par de peitos era melhor que o meu travesseiro. Fechei os olhos e deixei-me afogar por ali mesmo, depois de alguns segundos voltei a respirar e a sentir todo o cheiro que só ela tem misturado com o seu hidratante favorito, desodorante feminino, perfume doce, e um pouco de suor da caminhada feita até minha casa. Aquilo me excitou.

Afastou meu rosto e voltou a me beijar. Depois de uns três ou quatro longos beijos, voltamos a nos olhar e perguntei:

- Como você está? Ah, como eu precisava disso.

Pude ver toda a confusão que se passava dentro dela através daquelas duas janelas que ela tem. De repente começou a chover forte. Olhei para ela e voltei às perguntas:

- O que aconteceu, amor? Está tudo bem?

Fechou o rosto e começou a falar dos seus tormentos. Eu só a observava e buscava aprender algum detalhe dela. Interrompi-a com um pedido de desculpas. Desculpamo-nos pelas burradas que cometemos um a o outro. Ela me deu outro beijo e sorriu. Continuou com as tormentas e eu só ouvindo. Ajudei com os conselhos que eu pude dar, ela balançou a cabeça, deu outro sorriso e me fez um pedido:

- Fica de bruços. Pra quê? Fica!

E o que eu podia fazer? Ela é persuasiva de tantas formas, que não consigo descrever todas. Deitei-me como mandado. Estava sem camisa e vestia apenas um short. Ela se aproveitou disso, montou sobre o meu quadril e com aquelas mãos magras começou a tocar minhas costas de forma calma. Não sem antes tentar me dar uma chinelada na bunda, pressenti o golpe e escapei dele. Ela é sempre assim. Senti descargas passando por todo o meu corpo. Fechei os olhos. Limpei a mente. 

Ela continuou a me massagear, eu podia sentir suas quentes e macias mãos percorrendo as minhas costas. Os calafrios me corriam da nuca até os tendões dos tornozelos.  Como diabos ela consegue ser tão boa nisso e noutras coisas? Era o que eu conseguia pensar entre uma onda de calafrios e outra. Relaxei.

Ela terminou com beijos pela minha nuca e ombros de uma forma bem provocante e a passar seus cabelos lisos e negros por sobre minhas costas arrepiadas com tudo aquilo. Deitou-se ao meu lado e sorriu. Tudo que eu pensava era que não podia deixar essa mulher tão só. Olhei para ela e falei:

- Minha vez. Vire-se, agora quem vai fazer massagem sou eu.

Ela abriu um sorriso malicioso, apertou um pouco os olhos, levantou uma das sobrancelhas e soltou:

- Como? Eu estou toda vestida... Tira a blusa. Só a blusa? Não quer que eu tire mais nada? É, é melhor, você mesmo disse que estava com as coxas doloridas depois de todos aqueles exercícios. Vem, eu vou te massagear.

Levantei-me e fui buscar um dos tubos de hidratantes que já moram no quarto. Eu sabia que o toque grosso das minhas mãos calejadas sem um pouco sequer de hidratante não seria tão prazeroso para ela. Voltei os olhos para a cama e lá estava ela sem a blusa, só de sutiã preto que lhe apertavam e aproximavam os seios, e sem as calças, apenas uma calcinha delicada e colorida separava meus lábios dos dela. Não era hora ainda, pensei, primeiro a massagem! Afirmei isso mentalmente. Repetidas vezes.

Ela me deu outro olhar daqueles. Daqueles que te arrancam todas as ideias e te deixam apenas com uma. Foda-se o mundo, eu tenho que foder essa mulher. Não agora, vamos jogar o jogo dela, pensei em seguida. Logo depois reparei que algo estava errado:

- Você não está de bruços...

Ela sorriu, olhou para mim, arqueou as costas para frente, e num passe de mágicas lá estava ela me falando já sem a sua parte de cima:

- Por que você não começa pela frente?

Seu sutiã marcara toda a parte inferior daqueles lindos seios. Sentei sobre o quadril dela como mandado, derramei um pouco de hidratante na mão esquerda, esfreguei as mãos e deslizei-as pelos seus seios macios e quentes. Parte de mim queria lhe arrancar o resto de roupa que tinha, outra me dizia para continuar no jogo dela, continuei a jogar. Ela fechava os olhos na maioria do tempo e dava mordiscos no lábio inferior. Eu por vezes parei de massagear aqueles lindos seios só pra beijá-la sem pressa.

Levantei-me, peguei no seu quadril e joguei-a para o outro lado da cama. A bunda dela me encarava, assim como sua expressão maliciosa e extremamente convidativa. Encaixei-me outra vez sobre o quadril dela, encarei aquelas costas e aquela nuca delicada por alguns segundos. Abri o hidratante, derramei por todas suas costas e corri as mãos sem a menor pressa. Tentava sempre dosar o excesso de força, ela parecia gostar de tudo aquilo, sequer abria os olhos agora. A cada corrida, as mãos desciam mais e mais. Saí do seu quadril e sentei ao seu lado. Ela virou a cabeça para o meu lado, abriu os olhos e com um olhar meio triste perguntou:

- Por que você saiu de cima? Relaxa, apenas relaxa.

Dei outro beijo nela e disse para fechar os olhos. Ela obedeceu. Derramei mais um pouco de hidratante, só que agora eu mirava as covas das suas costas, aquele maldito par de covas me deixava excitado como um cachorro louco. Massageei seu quadril, e para cada corrida completada, as mãos desciam mais e mais. Ela entendeu o jogo, tirou os braços de sob o travesseiro pequeno que lhe apoiava a cabeça e baixou a calcinha até o fim da bunda. Tive apenas o trabalho levar sua calcinha até os seus pés, tirá-la e depois jogar sobre parte da cama vazia. Corri as mãos, com agora mais força, até suas linhas que separam a bunda das coxas grossas. Senti os lábios bem próximos aos meus polegares. Recuei.

Ajeitei-me mais para o fim da cama. Derramei hidratante do começo das suas coxas até os seus calcanhares. Ela achou por um instante que eu iria chegar logo a sua flor. Eu estava jogando agora o jogo dela. Paciência, mulher. As mãos correram, sem pressa, primeiro por sua perna esquerda. Eu agora apertava um pouco mais, um rastro vermelho era deixado pelos dedos sobre sua pele sensível e branca das coxas. Ela gemia baixo a cada passagem de mãos. Parei nos pés dela, passei um tempo massageando-os. Eu não tinha pressa alguma. Podia-se ouvir ao fundo o barulho da chuva, agora fraca, que teimava em cair naquela tarde.


Lucas Sales Viana

quinta-feira, maio 16, 2013

Por que não eu?

Lembra quando lhe falei há alguns dias que existem certas músicas que me fazem entrar num estado diferente de espírito. Nesse dia lhe contei das que me deixam ora triste, ora pensativo e ora até com um ar mais romântico... Então, me deixa contar o que acabou de me acontecer.
Cá estava eu concentrado a resolver a segunda questão de uma segunda lista daquela matéria que eu carinhosamente chamei de PQP sentado na mesa ao lado da do notebook. Para o meu auxílio, Jimmy Page admitia que a culpa não era de ninguém, só dele, cantava que o diabo estava lhe dizendo para fazer certas coisas, e que ele tinha um grande problema nas costas para resolver, e que mesmo assim a culpa era só dele.
Enfim, mesmo com toda a ajuda da minha banda favorita, perdi-me na confusão de incógnitas, equações independentes, sistema global, molar, lbm/h e outras tantas coisas que me vão ser pedidas amanhã bem cedo.
Pois quando menos vi estava eu a sussurrar certa música que escutei naquele dia sentado naquele banco recentemente pintado na cor marrom. Ao meu lado estava você sempre linda e com esses grandes e vivos olhos. Às nossas costas as fontes d’água ajudavam a relaxar o clima. Ao redor as pessoas passavam em roupas caras e caras esnobes, os seguranças daquela praça iam e vinham, boné, colete e feições sérias.
Quase ao nosso lado aquela banda tocava alguns clássicos rocks brasileiros, enquanto as pessoas que estavam sentadas ao restaurante pouco ligavam para esse simples momento, tudo que queriam era falar sobre trabalho, ou mal de alguém, ou outra coisa qualquer. E você seguia ali, ao meu lado, cantando bem baixo, como se fizesse um show particular para mim.
Eu sorri feliz e lhe falhei sobre como iríamos criar nosso guri, eu daria aulas de rock britânico durante os passeios de carro, você cantaria Renato Russo, Leoni e Cazuza pondo ele para dormir. Você sorriu mais ainda e continuou a cantar a mesma música que eu cantei agora há pouco.
“Por que não eu? Ah! Ah! Por que não eu?”
E dessa música eu retiro uma parte que resume bem a razão de eu escrever:
“Eu vou dizer aquelas coisas, mas na hora esqueço...”
Queria poder contar mais, mas tenho que achar uma saída para o problema.


Lucas Sales Viana
                                                                      

domingo, abril 14, 2013

Somos, nós, homens, todos idiotas.

Estamos todos fodidos. De uma forma ou de outra nós estamos, homens e mulheres, garotas e garotos.

Fique com raiva de mim, o quanto quiser, quando quiser. Eu sou idiota, e você bem sabe disso, em alguns momentos. Seria impossível ser sempre o bonzinho, ou ser sempre o vilão, eu tenho meus momentos de inspiração sombria.

Minha cabeça doía como se quatro senhores de escravos estivessem batendo ao mesmo tempo em um só negro indefeso. Eu sentia as pontadas dos chicotes acertando essa não tão pequena cabeça. E tudo que eu queria era poder estar com você. Não que ficar perto da minha irmã e do resto dessa família seja ruim, mas nada se compara a você. NADA.

Não sei o que você fez comigo, ou se você realmente fez algo, só sei que nada sei, já dizia algum filósofo virgem por aí na antiga Grécia.

Eu até sei o que você fez, mas o alto nível de álcool nesse momento que passeia por entre as poucas células nervosas que eu tenho me impedem de construir pequenas frases, quiçá lembrar de TUDO que você fez por mim. Não que eu não lembre disso ou daquilo, mas de tudo seria beirar ao impossível.

Não sei se estou escrevendo com nexo e na forma correta, mas preciso disso. Escrever é minha realidade, meu ponto de equilíbrio. É o meu encontro com o meu eu, se ele ainda existir. Pobre eu.

Eu errei. Todos erramos, é uma merda, eu sei. Mas eu errei. O que eu posso fazer?!

Fique puta comigo, você tem esse direito, e eu te levei a isso.

Mas nada melhor que a vodca, nada melhor que a cerveja e quaisquer outras bebidas que eu tenha experimentado nesses quase dezenove meses de uma experiência única para me mostrarem a verdade dura e dolorida.

Em todos os momentos que eu estive alto e à beira de um porre, e até naqueles que eu passei do ponto... em todos eu queria estar com você.

E hoje, especialmente hoje, enquanto a banda tocava músicas que me faziam sentir um lixo, com a sensação de que eu podia estar perdendo você por estar ali com meus amigos, eu só conseguia pensar em você.

Fodam-se todas as outras mulheres que olharam para mim. "Aquele cara sentado na mesa com um copo de vodca e bem vestido, de cabelo curto e barba rala, não muito bonito mas de olhar forte e sério. Se ele olhasse para mim..."

Não que eu realmente queira que elas se explodam, mas apenas não consigo olhá-las com interesse. Eu só penso em você, só quero você, só preciso de você.

Fique puta comigo hoje e talvez até amanhã, quiça um mês, ou dois. Mas eu sempre vou te amar, amar cada detalhe seu, cada sorriso seu e até cada estresse seu. Fique puta comigo o quanto quiser, só por favor não me deixe só. Eu não sei mais como seria minha vida sem você.

Te amar é pouco. Dizer que sinto saudades de você não é nada perto da realidade e até me incomoda. Dizer qualquer coisa ainda não resumiria, todo esse texto ainda é incapaz de explicar o que eu sinto por você.

Apenas peço que me perdoe por hoje, pelo meu mau humor, e por essa escrita de um bêbado que mal chegou em casa e nem as calças tirou.

Perdoe-me se acabei dando um tiro no pé, e na perna, e no resto do meu corpo, ao sair hoje, mesmo sabendo que você estava chateada. Mas a verdade é que em cada mulher que eu batia os olhos, a única que surgia era você, você de cara fechada e chateada. Decepcionada até por tudo que eu fiz hoje.

Mas esse sou eu, o cara nem sempre certo, mas que continua tentando...

Do seu,

Apaixonadamente bêbado,

Lucas Sales Viana

Ps: Queria poder te ligar, mas o meu querido e odiado celular decidiu que era hora de descarregar por completo.

segunda-feira, março 25, 2013

Quinze dias sem ela - Dia Primeiro.

Preso aqui no aeroporto, à espera da conexão, me vejo sem outra opção a não ser esta, escrever o que me vier a mente. Escrever para que se passem quatro horas "rápidas", maldita hora em que não conferi os horários de voo. Frustração é a palavra de ordem.

Mais frustrante que isso é a certeza de não poder tê-la trazido, e a certeza de que ela estará lá sentada e olhando para o quadro branco tentando absorver qualquer coisa que o professor tentar empurrar. Uma tentativa válida para um objetivo que pode parecer distante, mas não o é. Talvez ela esteja roendo uma unha enquanto fica conferindo o celular na esperança de ter notícias minhas, talvez ela esteja na segunda unha, ou na segunda mão.

À minha frente um casal de jovens, um rapaz branco de pulseira preta no pulso esquerdo com detalhes em prata, bem apresentado, e uma garota de cabelos curtos de fogo, à altura do ombro, branca como as nuvens do céu e de camiseta verde e shorts que por pouco não lhe fazem aparecer o começo da bunda, namoram enquanto lancham. Talvez estejam esperando por uma conexão assim como eu. Linda. Mas não interessante.

Será que a minha morena de olhos de jabuticaba está pensando em mim nesse exato momento em que estou aqui a pensar nela enquanto olho esse feliz casal saindo? Mal sabe ela do que sinto agora e da voz ao fundo que me grita para pegar o primeiro voo de volta à cidade natal.

Mas não devo, devo ficar e voar por duas horas rumo a outra cidade, e dessa cidade pegar um carro e passar pouco mais de três horas para só então chegar ao destino final. Até lá eu respiro fundo e mastigo chicletes e ouço música e batuco na mesa do aeroporto para tentar controlar essa ansiedade filha da puta. E para quando nada disso funcionar, o banheiro fica logo ali.

E nessa tentativa de escrita ela não poderia deixar de aparecer, a minha quase íntima amiga, a falta de inspiração. Aquele vazio que me faz, enquanto escrevo, ou pelo menos tento, uma mísera página, dividir a atenção entre as minhas unhas roídas e o grupo de pardais que se aproximam das mesas do centro de alimentação em busca de migalhas. Eles andam a pular e a derrapar no liso piso e a bicar qualquer mínimo pedaço que lhes pareçam com comida.

Até os pardais andam em casais e eu aqui, no meio dessa multidão, só. Ah, que falta ela me faz. Falta, saudades, carência, chame como quiser. O sentimento é o de querer estar ao lado dela, seja deitados e namorando na nossa cama, seja dirigindo enquanto ela me olha com aqueles grandes olhos, seja vendo filme e roubando alguns beijos enquanto roda a parte chata.

Acho que no final das contas essa escrita acabou ficando para ela, uma pena mais uma vez não poder estar lá. Espero que esteja prestando atenção bem à aula de hoje, e que preste também nas que se seguirão durante essas duas semanas.

Será que já leu a primeira carta? Ou vai esperar pela noite? São apenas quinze, e quando menos perceber, lá estarei.

Fim do texto, mas ainda me restam quase as mesmas intermináveis quatro horas de espera...

O capitalismo se transformou numa merda mesmo.


Ps: Não me pergunte o por que dessa frase final, talvez seja apenas mais um produto da minha frustração.


Lucas Sales Viana